Será que “maus tratos” se deve a maneira como o caso foi tratado pelo TJ?

Partindo dessa linha de raciocínio, sem dúvida, a justiça foi vítima de “maus tratos”.

Com relação ao caso Herzog, a diferença entre maus tratos e tortura é abissal.

Assim como a diferença entre PODER JUDICIÁRIO e JUSTIÇA…

Ditabranda: Decisão do TJ, lembra artigo da Folha de São Paulo…

Do UOL:

Justiça retifica registro de óbito e reconhece que Herzog morreu por “maus-tratos” na ditadura

25/09/2012

O juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), determinou nesta segunda-feira (24) a retificação do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, para fazer constar que sua “morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército – SP (Doi-Codi)”.

Fica claro que o “suicídio” de Herzog surgiu para encobrir as reais causas da morte daquele que foi convocado e compareceu, por livre e espontânea vontade, para prestar um simples depoimento (clique aqui) e acabou vítima de odioso crime.

“Quando a sentença rejeita a tese do suicídio exclui logicamente a tese do enforcamento e, então, a afirmação de enforcamento – que se transportou para o atestado e para a certidão de óbito – encobre a real causa da morte, a qual, segundo os depoimentos colhidos em juízo indicam que foi decorrente de maus tratos durante o interrogatório no DOI-Codi”, diz o parecer da comissão. (Com Agência Brasil)

Lendo a transcrição a seguir, logo vamos perceber que Vlado sofre bem mais que simples “maus tratos”.

A transcrição não foi baseada nos depoimentos dos torturadores. Segundo eles, Vlado cometeu suicídio.

25 de outubro de 1975, Rua Tutóia, cidade de São Paulo. Nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), um homem é torturado com pancadas e choques elétricos. Seus companheiros, na sala ao lado ouvem seus gritos.
O homem recusa-se a assinar um suposto depoimento por não admitir que as informações constantes naquele pedaço de papel sejam verdadeiras. Ele não escrevera nenhuma palavra daquilo. Em um ato de indignação, rasga o papel. E num ato de maior indignação ainda, mesclado a ira, seu torturador o esbofeteia. Os amigos, na outra sala, não ouvem mais seus gritos.
Algumas horas mais tarde, dentro de uma cela no mesmo departamento, uma foto do homem morto, amarrado por uma tira de pano em um pequeno pedaço de ferro no alto da cela. O Inquérito Policial Militar, IPM dá como causa da morte suicídio por enforcamento.

Clique aqui e veja a matéria completa.

Veja e tenha sua própria opinião.

Vladimir Herzog e muitos outros deram suas vidas, para que pudéssemos ter esse direito.

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Imagem: acertodecontas.blog.br

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