A eleição de Fernando Lugo, eleito democraticamente em 2008, após seis décadas de domínio de um partido único, incluindo os 35 anos do regime militar comandado por Alfredo Stroessner (1954-1989), foi um acontecimento marcante na história recente do Paraguai (clique aqui).

Ele foi eleito pelo povo, mas não é o povo quem decidirá seu destino…

O Senado, com ampla maioria oposicionista, deverá decidir sobre o processo de impeachment do presidente.

Da BBC Brasil:

Mortes no campo geram crise e processo de impeachment no Paraguai

21/06/2012

As mortes em um conflito agrário na semana passada no Paraguai provocaram uma crise que levou o presidente, Fernando Lugo, a afirmar nesta quinta-feira que não renunciará ao cargo. O discurso em rede nacional ocorreu minutos depois da aprovação por ampla maioria na Câmara dos Deputados da abertura de um processo de impeachment contra ele.

Fernando Lugo/AP

Lugo diz que vai se submeter a processo, mas reclama de perseguição política

“Não renunciarei ao cargo para o qual fui eleito pelo voto popular. Não interromperei um processo democrático e me submeterei ao processo político, como mandam as leis paraguaias, com todas as suas consequências, como indica a Constituição paraguaia”, afirmou o presidente.

É, de fato, muito perigoso o que ocorre aí do lado, no Paraguai.

Como um país que não consegue mostrar estabilidade política, poderá assumir compromissos internacionais?

Sobre as mortes ocorridas, aqui mesmo no Brasil, diversas reintegrações de posse acabaram em massacres.

Temos, por exemplo, o recente caso do Pinheirinho em São Paulo, ou o terrível episódio de Eldorado dos Carajás no Pará, onde dezenove sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará.

O caso do Pinheirinho vai para a Corte Interamericana de Direitos Humanos e ao Tribunal Penal Internacional (clique aqui) e, caso sejam condenados os responsáveis, esses não serão os chefes de governo, como não foram os chefes de governo responsabilizados pelo massacre do Pará (clique aqui). 

Almir Gabriel não foi cassado, assim como não será Geraldo Alckmin…

Vão cassar Fernando Lugo? E depois? Vão fazer um governo provisório-definitivo?

Já vi esse filme antes…

Ele não foi eleito pelo povo? Pois que seja convocado um referendo para que o povo, democraticamente, decida se o presidente Lugo deve sair.

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