Na verdade, a conta vai ficar para quem sempre ficou. O contribuinte.
São regiões pouco povoadas, porém muito representadas.

Mas, nem sempre essa hiper-representação, significa qualidade.
Divisão do Pará pode criar mais de 60 cargos políticos
Cada unidade deve ter três senadores e, no mínimo, oito deputados federais e 24 estaduais
Uma lei complementar de 1993 diz que a Câmara pode ter, no máximo, 513 deputados. A quantidade de vagas por Estado é definida considerando o tamanho da população de cada um: os mais populosos têm direito a mais representantes, até o máximo de 70. A última alteração na divisão foi em 1994, quando a bancada de São Paulo pulou de 60 para 70 parlamentares.
Com a criação de dois Estados, a região do atual Pará teria de ter ao menos 24 deputados, mas tem apenas 17 atualmente. Ou seja, vão faltar sete cadeiras para a conta fechar. O que fazer, se a lei já definiu a quantidade máxima de deputados?
- Ou não aprovam os Estados ou será preciso aumentar o número total de deputados e senadores.
A explicação é de Valeriano Mendes Ferreira Costa, cientista político da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Segundo ele, é “quase impossível” que o Congresso aceite tirar vagas de outros Estados para abrigar os representantes das novas unidades.
Juntos, o Norte e o Nordeste do país, já têm bancadas expressivas no Senado e na Câmara. Com a criação de novos Estados esse poder aumenta ainda mais, explica Rodrigo Estramanho de Almeida, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
- As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste já têm mais de 70% da representação do país, considerando os três senadores por cada Estado.
Segundo ele, em algumas unidades pouco povoadas, a exigência de oito deputados significa uma hiper-representação.
O professor Valeriano Costa diz que, com a aprovação de Carajás e Tapajós, o desequilíbrio vai aumentar.
Existem outras razões para dividir o Pará.
Nem todas aparecem na grande mídia…
Do Brasil de fato:
A quem interessa a divisão do Pará?
A principal transnacional da região, a Vale, isenta-se de qualquer debate sobre o assunto, e por e-mail apenas respondeu a reportagem: “Não temos comentários sobre este assunto”. Mas Barbosa alerta, “pode ser que seja mais fácil para a empresa realizar negociações com um estado iniciante e necessitando de recursos do que com uma máquina administrativa estabelecida e que apresenta seus interesses específicos já bem definidos”.
Mas nem só a Vale poderá ser beneficiada com o surgimento de duas novas federações. O grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, seria um dos principais interessados, sobretudo, na criação de Carajás. Segundo relata o diretor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Jandir Merla, Marabá seria uma capital provisória e a capital definitiva seria construída entre os municípios de Eldorado dos Carajás, Xinguara, Sapucaia e Rio Maria. “É justamente nessa faixa do estado paraense que Dantas mais comprou terras nos últimos tempos, vejo o gado como fachada, pretexto. Para mim, o grupo de Dantas por ser muito forte teve informações privilegiadas e sabia que a nova capital de Carajás poderia ser construída naquela região”, diz.
Tanto que parte dessas terras de Dantas, no momento litigado pelo Incra, para desapropriação para fi m de reforma agrária, é negada veementemente pelo grupo de advogados que defende o banqueiro. “O grupo Santa Bárbara oferece outras terras que estão fora dessa área, mas essas ele não aceita vender para o Incra”, revela Merla.
E quem tem interesse na divisão, também tem dinheiro para gastar.
E gastam a valer…
Gastam tanto por quê?
Por cidadania?
Do Terra:
PA: campanhas pró-divisão arrecadam 5 vezes mais que adversários
Marcado para o dia 11 de dezembro, o plebiscito está logo aí. O que veremos neste dia?
Talvez um milagre…
Será que dividindo o Pará, nascerá respeito pelo cidadão?
Se assim for, que tal dividirmos todo o Brasil?
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Imagem: redebrasilatual.com.br